sábado, 6 de fevereiro de 2010

Células-mãe neuronais afectadas por um gene relacionado com a longevidade

Foi demonstrado que um gene associado à longevidade, em vermes e seres humanos, afecta também a função das células-mãe que geram novos neurónios no cérebro adulto. O estudo, publicado na revista Cell Stem Cell, foi realizado em ratos e sugere que o gene poderia desempenhar um papel importante na manutenção da função cognitiva, durante o envelhecimento.

Os pesquisadores estudaram um conjunto de factores de transcrição chamados FoxO que intervêm na proliferação, diferenciação e morte celular programada. Examinaram ratos de laboratório, nos quais o gene FoxO3 estava bloqueado. Ainda que os ratos possam viver sem FoxO3, morrem de cancro entre os 12 e 18 meses, após o seu nascimento. A esperança de vida normal de um rato de laboratório é de aproximadamente 30 meses.

Para o estudo foram utilizados ratos, com e sem o gene, de três idades distintas: de 1 dia de idade (recém-nascidos), de 3 meses de idade (adultos jovens) e de 1 ano de idade (meia-idade). Em geral, foi observado que os ratos adultos e os de meia-idade, que não tinham o gene FoxO3, apresentavam um número menor de células-mãe neuronais do que aqueles que tinham esta proteína reguladora.

Cell Stem Cell, 2009
Renault VM, Rafalski VA, Morgan AA, Salih DAM, Brett JO, Webb AE, et al

Abraço Fraterno!

Telemóveis podem impedir a formação de uma proteína causadora de Alzheimer

As ondas electromagnéticas produzidas pelo telemóvel poderão proteger e, inclusive, reverter os sintomas da doença de Alzheimer. Esta é a conclusão de um estudo publicado recentemente na revista Journal of Alzheimer's Disease.

Para a experiência, os ratos foram encerrados durante nove meses, numa jaula, na qual foram expostos a ondas similares às de um telemóvel. Os roedores, induzidos geneticamente para desenvolver a doença de Alzheimer, mantiveram-se sãos. A sua memória não foi afectada, nem mostraram sinais de demência. Nos ratos mais velhos, que já revelavam problemas de memória, estes desapareceram, o que sugere que poderia conseguir-se um efeito semelhante em seres humanos. Os ratos normais também desenvolveram uma melhor capacidade de memória, depois da exposição.

As autópsias revelaram que as ondas tinham diminuído as placas de proteína beta-amilóide, no cérebro dos ratos. Os autores avançam a hipótese de que o aumento da temperatura do cérebro, devido à exposição às ondas magnéticas, poderia ser o responsável pela mudança.

Journal of Alzheimer's Disease, 2010
Arendash GW, Sanchez-Ramos J, Mori T, Mamcarz M, Lin X, Runfeldt M et al.

Abraço fraterno!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Exercício ajuda a prevenir deterioração cognitiva leve

As pessoas de meia-idade que praticam algum tipo de actividade física moderada revelam um menor risco de vir a padecer de deterioração cognitiva leve. Os resultados de um artigo publicado na revista Arquives of Neurology mostram que seis meses de exercício aeróbico de alta intensidade melhoram a função cognitiva das pessoas que sofrem deste tipo de deterioração.

No estudo, participaram 1.324 voluntários que completaram um questionário sobre o exercício físico e, posteriormente, foram avaliados. Aqueles que faziam exercício moderado (como nadar, caminhar, yoga ou treino de força) tinham menos 39% de probabilidade de vir a sofrer de deterioração cognitiva leve. Os pesquisadores sugerem que o exercício poderá prevenir esta deterioração, através da produção de compostos que protegem os nervos, proporcionando um maior fluxo de sangue ao cérebro, um melhor desenvolvimento e sobrevivência dos neurónios e um menor risco das doenças cardíacas e dos vasos sanguíneos.

Arquives of Neurology
Geda YE, Roberts RO, Knopman DS, Christianson TJH, Pankratz VS, Ivnik RJ, et al.

Abraço fraterno!

A perda de olfacto poderá ser um indicador prematuro da doença de Alzheimer

Os resultados que aparecem na revista Journal of Neuroscience sobre uma nova investigação com ratos, sugerem que a perda de olfacto poderá ser um indicador prematuro da doença de Alzheimer. Os pesquisadores descobriram que as placas amilóides desenvolviam-se primeiro na zona do cérebro, destinada ao olfacto. Quando submetidos a avaliação, os ratos que apresentavam placas passavam mais tempo a sentir os cheiros, no sentido de memorizá-los e tinham muitas dificuldades em diferenciá-los.

Sublinhe-se que, durante a realização da prova de comportamento olfactivo, detectaram-se diferenças, inclusive quando a quantidade de placa amilóide no cérebro era pequena e tão prematura como aos três meses de idade (o equivalente a um adulto jovem). Esta é uma descoberta importante porque, ao contrário do scanner cerebral, uma prova olfactiva desenhada em laboratório poderá ser uma alternativa económica para o diagnóstico prematuro da doença de Alzheimer.

New York University School of Medicine, 2010
Wesson DW, Levy E, Nixon RA y Wilson DA

Abraço fraterno!

Deterioração cognitiva provocada pela falta de sono

Foi descoberta, no cérebro, uma via molecular que é responsável pela deterioração cognitiva, produzida pela falta de sono. Os autores crêem que os déficits cognitivos causados pela privação do sono, como a incapacidade de concentração ou os problemas com a aprendizagem e a memória, podem ser reversíveis, ao reduzir-se a concentração de uma enzima específica que se acumula no hipocampo cerebral.

Os resultados, publicados na revista Nature, mostram que os ratos privados do sono apresentam maiores níveis da enzima PDE4 e menores de AMPc, uma molécula importante na formação de novas conexões sinápticas no hipocampo, do que aqueles que dormem normalmente. Tratando os ratos com inibidores da PDE4, encarregado de reduzir o déficit de cAMP, induzido pela privação de sonho, a plasticidade sináptica e a memória dependente do hipocampo, isso reduz as deficiências nas conexões sinápticas no hipocampo e, deste modo, contrariar algumas das consequências da falta de sono sobre a memória.

Nature, 2009
Vecsey CG, Baillie GS, Jaganath D, Havekes R, Daniels A, Wimmer M, et ao.

Abraço fraterno!

sábado, 30 de janeiro de 2010

Leitura recomendada

Aconselho-vos a leitura do livro “Portugal, Hoje: O Medo de Existir” da autoria do filósofo e professor catedrático José Gil - considerado um dos 25 grandes pensadores do mundo inteiro pela revista internacional “Nouvel Observateur”. É um livro acessível a todos, de fácil leitura, escrito num tom vivo e pungente.

A obra versa sobre o tema da inveja e do medo existentes em Portugal, denunciando e dissecando alguns dos traços caracteristicamente lusos que explicarão o atraso do país a vários níveis. O autor aponta como factores paralisantes, a televisão, a mediatização, o medo, a inveja, a queixa constante, entre outros. Ao longo da obra, o autor vai expondo as razões pelas quais os portugueses assumem este tipo de comportamento e cuja sociedade ele classifica ainda de infantil.

Julgo que a leitura deste livro é importante, uma vez que nos faz pensar e a reflexão leva-nos necessariamente a mudar, a agir e a crescer. Esta obra não é uma visão fatalista de um modo de ser tipicamente português, mas sim um alerta para que a nossa sociedade tome consciência daquilo que tem de ser mudado, para que, individual e colectivamente, possamos aceder a patamares mais ricos e construtivos.

Uma boa leitura!
Abraço fraterno!

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Intuição

Intuição é uma palavra que deriva da expressão de origem latina "In tueri", que significa "olhar para dentro". A intuição é normalmente entendida como um "sexto sentido", uma voz interior. Para o pensamento pós-modernista da Nova Era, existe em nós uma consciência instintiva que funciona como um guia para as nossas acções. Para autores como Ellen Campbell e J.H.Brennan "a intuição é o resultado de uma capacidade especial ou de uma afinidade para com o objecto considerado”.

Alguns estudos sobre o processamento automático, a memória, o funcionamento do cérebro direito, as emoções instantâneas, a comunicação não verbal e a criatividade têm demonstrado que existe no ser humano uma capacidade intuitiva.

As ciências cognitivas têm vindo a revelar que o pensamento ocorre no segundo plano da mente humana. Segundo a neurologia - a área da medicina que estuda o funcionamento do cérebro - quando uma mensagem intuitiva surge na mente, o lado direito do cérebro encaminha essa mensagem para o lado esquerdo, que se encontra ligado ao intelecto e à razão. No momento em que essa informação é interpretada, o organismo liberta substâncias químicas, que vão estimular a actividade cerebral. O pensamento, a memória e o comportamento operam, assim, em dois níveis: o consciente/intencional e o inconsciente/automático, tratando-se uma forma de processamento duplo e simultâneo.

Para mim, numa primeira instância, intuimos/sentimos e só posteriormente é que o nosso cérebro vai reflectir e interpretar.

A intuição é muito importante, pois alimenta a nossa criatividade, intelecto, percepção de amor e espiritualidade, porém, a ciência faz notar que pode ser perigoso deixarmo-nos levar apenas pela intuição, desprezando o bom senso e a lógica. Bergson, por exemplo, acreditava que a razão não podia ser inimiga da intuição e que as duas deviam caminhar lado a lado, tal como a ciência (conhecimento do absoluto) e a filosofia (a relatividade do conhecimento).

Devemos, assim, procurar alcançar um meio-termo entre o pensamento intuitivo e pensamento lógico. Actualmente, o uso da intuição como instrumento ou ferramenta de gestão tem-se revelado indispensável, já que, mais do que nunca, vivemos num mundo em acelerada e constante mutação. Os líderes e gestores que detêm uma forte intuição e capacidade visionária, que conseguem “ver” a médio e longo prazo e intuitivamente escolhem o melhor caminho, tendem a ter mais sucesso e a serem mais eficazes. Podemos observar que muitos sucessos empresariais surgem por meio da intuição, o que motiva a determinação e a vontade de ir mais além, experimentando caminhos ainda não trilhados. É o caso da empresa norte-americana Apple, que actua no universo da tecnologia, e que, frequentemente, lança produtos inovadores e práticas originais, fazendo uso da sua apurada intuição e visão futurista.

Com efeito, grandes descobertas só podem ser viabilizadas com o uso da intuição, todavia, a vida moderna (contexto cultural, social, racional) afasta-nos, muitas vezes, da intuição, devido ao enorme receio que temos em falhar. Em situações de pressão e stress, cada vez mais frequentes na nossa rotina de trabalho, o que temos, muitas vezes e apenas ao nosso alcance, é a nossa intuição que, aliada à lógica, nos vai ajudar a decidir com acerto, exigindo de nós uma grande autoconfiança, flexibilidade e capacidade de resiliência.

Não se esqueça que “Provamos através da lógica, mas descobrimos a partir da intuição” (Jules Henri Poincaré).

Abraço fraterno!

Referência bibliográfica: Campbell, E. & Brennan, J.H., "Dicionário da Mente, do Corpo e do Espírito", Editora Mandarim, S.Paulo, 1997).

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