sexta-feira, 30 de julho de 2010

A estrutura do cérebro corresponde à personalidade

O tamanho de diferentes partes do cérebro está relacionado com a personalidade, de acordo com um estudo publicado na revista Psychological Science. Para o estudo, 116 voluntários responderam a um questionário para descrever a sua personalidade, ao medir o tamanho relativo a diferentes partes de seu cérebro, por meio de um exame da imagem cerebral. O software foi usado para deformar a imagem de cada cérebro, de modo que a dimensão relativa das estruturas podem ser comparadas, tendo encontrado uma relação entre o tamanho de certas regiões do cérebro e a personalidade. Assim, foi observado que as pessoas extrovertidas tiveram um número significativamente maior do córtex medial orbitofrontal.

O estudo também encontrou associações similares para a estabilidade emocional, associada ao planeamento, neuroticismo, uma tendência a experimentar emoções negativas que estão associadas à sensibilidade de ameaça, punição e afabilidade e relacionadas a zonas do cérebro , que nos permitem compreender as emoções, intenções e estados mentais. Só a cultura do intelecto não está claramente associada a qualquer uma das estruturas cerebrais.

Psychological Science, 2010
CG DeYoung, Hirsh JB, MS Shane, Papademetris X, JR N Rajeev, Gray



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segunda-feira, 12 de julho de 2010

A meditação pode reduzir a dor

Um estudo publicado na revista Pain revelou que a prática regular da meditação pode reduzir a dor. A pesquisa veio mostrar que somente os indivíduos que tinham praticado meditação durante um longo período de tempo, apresentaram redução da dor. No estudo, foram incluídas práticas de meditação reflexiva e de atenção, que formam a base da terapia cognitiva recomendada para a depressão recorrente.

Mediante o uso de um laser de indução de dor, os investigadores observaram que a actividade de certas áreas do cérebro parecia diminuir quando os participantes do estudo se antecipavam à dor. As pessoas com mais de 35 anos e com experiência em meditação eram as que menos se antecipavam à dor e que menos sofriam. Os praticantes pareceram, ainda, revelar uma actividade pouco usual na região da crosta pré-frontal do cérebro, que é responsável por regular os processos de percepção e pensamento, sempre que uma pessoa se sente ameaçada.

Pain, 2010
Brown CA e Jones AKP


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segunda-feira, 21 de junho de 2010

Causa da deterioração cognitiva durante o envelhecimento

Um estudo recentemente publicado na revista Journal of Neuroscience demonstrou que as espinhas neuronais vão-se esgotando à medida que se envelhece, conduzindo à deterioração cognitiva na zona do cérebro implicada na aprendizagem. Os resultados foram obtidos a partir de uma análise feita com macacos - seis jovens adultos e nove com mais idade - que participaram numa prova de resposta adiada.
Num primeiro momento, Os macacos viam um alimento, sendo que, depois, lhes era colocada uma venda para que não pudessem ver a localização da recompensa que estava escondida. No início da prova, os macacos foram capazes, de forma imediata, de encontrar a recompensa. A memória destes macacos era posta à prova, sempre que o tempo que a recompensa estava escondida aumentava.

Os macacos mais velhos obtiveram resultados bastante piores nas provas, comparativamente com os macacos jovens, especialmente quando os intervalos de tempo eram maiores. Utilizando técnicas de microscopia, observou-se que os macacos mais velhos careciam de espinhas estreitas, muito embora conservassem as espinhas maiores, indicando que a perda destas espinhas poderá ser responsável pela incapacidade dos macacos de aprender e reter informação durante a prova.

Journal of Neuroscience, 2010
Dumitriu D, Hao J, Hara E, Kaufmann J, Janssen WGM, Lou W, et ao.


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sábado, 12 de junho de 2010

Transtornos do controlo de impulsos em doentes de Parkinson

Os resultados de um estudo transversal revelaram que os transtornos do controlo de impulsos (TCI), que incluem condutas como a ludopatia, impulsividade em comprar e comer ou a hipersexualidade, estão presentes em, aproximadamente, 14% de todos os pacientes com doença de Parkinson (EP). Esse número eleva-se a quase 17% naqueles que são tratados com um agonista da dopamina, tratando-se de uma percentagem 2 e 3 vezes maior do que naqueles que não tomam o agonista.

Os quatro comportamentos anteriormente descritos parecem verificar-se com frequência e em percentagens similares, seja com pramipexol ou ropinirol, que são os agonistas da dopamina mais comummente prescritos. Existe também uma relação entre o tratamento com levodopa e um risco maior destas condutas, se as doses forem superiores e não menores. Os resultados sublinham que os doentes de Parkinson devem ser avaliados com base numa série de sintomas de Transtornos do controlo de impulsos, e que essa avaliação deve fazer parte do seu atendimento clínico de rotina.

Archives of Neurology, 2010
Weintraub D, Koester J, Potenza MN, Siderowf AD, Stacy M, Voon V, et al.


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quarta-feira, 2 de junho de 2010

Flutuações da pressão arterial relacionadas com sinais de aumento de doença cerebrovascular

Um novo estudo vem demonstrar que não somente a pressão arterial (PA), mas também as flutuações a longo prazo da PA estão associadas a uma maior incidência de hiperintensidades da matéria branca e de enfarte cerebral. Os resultados, publicados na revista Arquives of Neurology, mostram que a pressão sanguínea elevada e as flutuações da pressão arterial, com o tempo, podem conduzir a doenças cardiovasculares, seja directamente através da aterosclerose ou, indirectamente, por afectar a auto-regulação cerebral.

Neste estudo, examinou-se a associação de PA e das suas flutuações a longo prazo, com as medidas das doenças cardiovasculares, incluindo o volume de hiperintensidade na matéria branca e a presença de enfartes cerebrais. Para isso, realizou-se uma ressonância magnética a 686 adultos, com mais de 65 anos e sem demência. Comparando-os com os indivíduos com uma baixa PA e com baixa flutuação da PA, o risco de doença cerebrovascular aumentava linearmente com o valor de PA e as flutuações da PA.

Dado que as doenças cerebrovasculares se associam com incapacidade, estas descobertas sugerem que as intervenções devem centrar-se na pressão sanguínea elevada e nas flutuações de PA, a longo prazo.

Arquives of Neurology, 2010
Brickman AM, Reitz C, Luchsinger JA, Manly JJ, Schupf N, Muraskin J, et al.


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quinta-feira, 27 de maio de 2010

Mecanismos biológicos subjacentes à conduta agressiva ou violenta

No momento actual, não são conhecidos os mecanismos exactos pelos quais os factores genéticos conduzem a condutas violentas. Esta é uma das principais conclusões de um estudo publicado recentemente na Revista de Neurologia.

Os aspectos genéticos influem nos factores biológicos tais como o arousal, os níveis hormonais e os neurotransmissores, entre outros, e estes, por sua vez, afectam o comportamento. Além de outros factores, um complexo mapa genético, que inclui genes relacionados com diversos sistemas de neurotransmissão, estaria implicado na regulação da agressão e a violência.

A conduta agressiva deve-se à interacção de diversos ambientes físicos e sociais que se encontram em constante mudança. As vias neuroquímicas implicadas na agressão dependem da experiência, pelo que em diversos ambientes podem emergir fenótipos comportamentais diferentes. Tudo isso seria consequência da interacção entre genes e ambiente, fundamental para o entendimento e o estudo da agressão e a violência.

Revista de Neurologia, 2010
Rebollo-Mesa I, Polderman T y Moya-Albiol L


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sábado, 22 de maio de 2010

Uma baixa exposição pré-natal à luz solar pode aumentar risco de esclerose múltipla

Uma baixa exposição materna à luz solar durante o primeiro trimestre da gravidez pode aumentar o risco de que os filhos venham a desenvolver, posteriormente, esclerose múltipla (EM). Os resultados da investigação, publicada na revista British Medical Journal, sugerem que é importante que as mulheres determinem os seus níveis de vitamina D, antes de ficarem grávidas.

Para este estudo, os investigadores recolheram, através de inquéritos, a informação de bébés nascidos em cinco estados diferentes da Austrália, entre 1920 e 1950, os quais, mais tarde, desenvolveram EM. Foi observado que o risco de desenvolver EM aumentava, quanto mais afastada do Equador estava a região. Além disso, em comparação com os nascidos entre Maio e Junho (início do Inverno), os indivíduos nascidos em Novembro e Dezembro (Verão) mostraram maior risco de vir a desenvolver EM.

Os investigadores também estudaram os diferentes períodos de gestação (o mês do ano, a região e o nível de radiação UV) em que havia risco de desenvolver EM. Dos 5 aos 9 meses de gestação, observaram-se associações inversas entre os níveis de radiação UV pré-natais e a EM. Depois dos devidos ajustes por região de nascimento, bem como outros factores, a associação entre o primeiro trimestre a radiação UV e a EM persistiu.

British Medical Journal,2010
Staples J, Ponsonby A-L y Lim L


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